Por que o Alzheimer atinge mais as mulheres

Por que o Alzheimer atinge mais as mulheres


O Alzheimer costuma atingir mais as mulheres do que os homens. No Brasil, elas representam 59% dos casos, e eles, 41%, segundo o Global Burden Disease. Além disso, a doença --que causa perda de funções como memória, atenção e linguagem-- progride mais rapidamente em pacientes do gênero feminino, informa um artigo do Nexo.


Até alguns anos atrás, os pesquisadores acreditavam que isso acontecia porque as mulheres viviam mais do que os homens. Hoje sabemos que essa hipótese não explica totalmente o fenômeno.
Durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer de 2019, os especialistas compartilharam novas descobertas que podem nos ajudar a entender melhor o que acontece –conheça, abaixo, quatro delas. 

Neurônios mais conectados

Uma das causas do Alzheimer é o acúmulo anormal da proteína tau no cérebro, pois ela se espalha de neurônio em neurônio, criando emaranhados proteicos que matam as células cerebrais.

Pesquisadores da Vanderbilt University Medical Center descobriram que, como as regiões do cérebro das mulheres estão conectadas de modo diferente das dos homens, a rede de proteína tau é mais densa e envolve todo o cérebro. Eles acreditam que essa configuração possa favorecer uma propagação e acúmulo mais rápidos da proteína tau por todo o cérebro nas mulheres, aumentando o risco de desenvolver Alzheimer.

Genética

Pesquisadores da Universidade de Miami identificaram genes e variantes genéticas ligados ao desenvolvimento de Alzheimer em mulheres e em homens. Em 11 genes, muitos dos quais podem ter funções relevantes no desenvolvimento do Alzheimer, foram encontradas ligações específicas de cada sexo com o risco da doença. Dos genes exclusivamente presentes nas mulheres, estão relacionados ao risco de Alzheimer aqueles que têm papel central na imunidade.

Boa memória

As mulheres tendem a ter um desempenho melhor em testes orais de memória. Isso faz com que, muitas vezes, o Alzheimer só seja detectado nelas em estágios mais avançados. A diferença de performance está ligada à capacidade de metabolizar a glicose em diferentes estágios do Alzheimer –como ela é fonte de energia, a dificuldade em fazer isso pode indicar uma disfunção cerebral.
Em um estudo coordenado por Erin Sundermann, pesquisador da escola de medicina de San Diego da Universidade da Califórnia, descobriu-se que as mulheres têm um metabolismo cerebral de glicose mais eficiente, o que faz com que, no início da doença, sejam capazes de compensar a perda de capacidade cognitiva. Por isso, o início do Alzheimer é menos detectável nelas.

Menos trabalho

A participação menor, no passado, das mulheres na força de trabalho também tem ligação com a taxa de incidência do Alzheimer entre elas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles e em São Francisco e da Boston College, todas nos Estados Unidos, verificaram que mulheres que haviam exercido um trabalho remunerado entre os 16 e os 50 anos apresentaram declínio de memória mais lento em relação às que não haviam.


A performance média de memória entre os 60 e 70 anos de idade decaiu 61% mais rápido entre mulheres casadas com filhos que nunca haviam tido um trabalho assalariado, e 83% mais rápido entre mulheres que viveram um período prolongado como mães solo sem trabalho remunerado. Os pesquisadores acreditam que a participação na força de trabalho está associada a níveis mais altos de estimulação cognitiva, o que previne o Alzheimer.

Postar um comentário

0 Comentários